OS CAMINHOS DA ADOÇÃO
Por Marlon Fonseca
No último dia 25 de maio, foi celebrado mais um dia Nacional da Adoção. Trata-se de mais uma tentativa de desmistificar o tema para o público brasileiro.
O país, hoje em dia, conta com uma legislação bem considerada por vários operadores de Direito, o Estatuto da Criança e Adolescente (Lei nº 8069 de 1990). Porém, a adoção enfrenta certas barreiras impostas pela própria sociedade. Ainda há, na cultura nacional, vários pensamentos restritivos sobre o assunto e muita desinformação à respeito do tema.
Como forma de instrumento desta desmistificação, várias ONG's pelo país lutam pela causa. Em Niterói, o Grupo de Apoio à Adoção Quintal da Casa de Ana realiza há muitos anos um trabalho sério para apoio às famílias interessadas no assunto bem como para a divulgação do tema e de seu trabalho de amplitude nacional.
A Assistente Social Lívia Curi, que atua há mais de 5 anos na instituição, conta como é feita a abordagem do tema perante os assistidos. "Nós lidamos aqui, tanto com casais que pretendem adotar como os que já adotaram. Para isso, contamos, além do trabalho das assistentes sociais, com psicólogos e assistência jurídica. Também atendemos estudantes que pretendem se inteirar sobre o tema. Eles trazem as dúvidas, as sugestões e nós vamos elucidando as dúvidas. Fornecemos atendimento individual e grupos reflexivos onde todos podem compartilhar seus mitos e dúvidas.", explicou.
Em relação ao ponto de vista do brasileiro sobre o tema, a psicóloga Edna Orlando considera que ainda há uma certa resistência. "Muitos ainda querem adotar bebê, criança branca, de peferência menina", revela.
Lívia aproveita a informação fornecida pela colega e destaca que ainda há resistência a determinados gêneros de crianças. "Deficientes, grupo de irmãos, crianças em uma idade mais avançada encontram muita dificuldade em conseguir um lar", exemplificou.
Quem consegue passar pela desinfomação e pelos preconceitos relata uma história feliz. Os empresários Rosana e Jorge Santos formaram a sua família com duas filhas adotivas Rebeca e Roberta. "Nosso processo, para ambas as filhas, transcorreu de forma tranquila, porém, sempre com a mesma expectativa. Desde namorados falávamos em formar uma grande família tanto com filhos biológicos como com adotivos. Com a demora da filiação biológica começamos nossa busca pelo filho adotivo. Digo sempre que a filiação por adoção é uma gravidez que você sabe quando começa a gestação, mas nunca sabe quando vai parir.", afirmou Rosana.
"Quando minha primeira filha chegou tive a certeza de que para ser, me sentir e exercer o papel de mãe, não precisava necessariamente gestar o filho. Assim, dois anos e meio depois chegava minha segunda filha. Posso dizer que a adoção é uma forma de amar incondicionalmente e todos, tanto pais quanto filhos, nos realizamos igualmente", concluiu Rosana.
Histórias como esta comprovam que o ato de adotar é um verdadeira forma de exercício de amor e solidariedade para com o próximo.
Os casais que estejam interessados em adotar devem procurar grupos de apoio à adoção como o Quintal da Casa de Ana ou a Vara de Infância e Juventude de sua cidade.